domingo, 22 de abril de 2012

A POETIZA E O FIDALGO


Autor 
desconhecido


Bem sei que tu me despesas
Bem sei que tu me aborreces
Zombando das minhas preces
com orgulhoso desdem
Mas não suponhas , não creias
Que o teu rigor me consome 
Pois mesmo pobre e sem nome 
Sei desprezar-te também

Bem sei homem, bem conheço
Que fui uma louca em fitar-te
Muito mais louca em amar-te
Sem consultar a razão!
Aquelas doces promessas
Que em teus olhos eu lia
Não eram mais que ironias
Não eram mais que ilusão.

Eu si medir a distancia 
Que nos separa na vida
Tu tens a aurora florida,
Eu tenho as noites cruéis!
Tu tens um monte de flores
Que te alcatifa os caminhos...
Eu trilho em sendas de espinhos
Que dilaceram-me os pés.

Teu vulto passa indolente
Por sobre os fundos prezares,
Tens n'alma os gelos polares
Em vez da luz do Equador!
A bela Vênus de Milo.
Te-la sem braçços os artistas
Mas Deus foi mais egoista
negou-te os fluidos do amor!

Não rias...! Isto é loucura!
Não zombes de uma desgraçada,
Que se não teve passado,
Pode um porvir aspirar
Não rias que da existência,
No dance ignoto infindo,
Quem abre a sena sorrindo 
Encerra o ato a chorar






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