terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ABANDONO


Autor
desconhecido

O soluçar muito triste
Sinto mulher adorada
De quem não mais existe
A ausência tão prolongada.

Nas ondas calmas do mar
No canto dos pescadores
Na vela branca a pescar
O coração sente dores

O coração sente dores
Dos tempos que já passaram
Dias de nossos amores
Tempos que não mais voltarão

Nesta infeliz solidão
Onde não tenho afeição
Sinto pungente saudade
Que fere eu coração

Em noite triste sem lua
Neste escuro sem alegria
Minha alma sonha com a tua
E diz:  Maria, Maria


Copiado por 
Zulmira Farias

1945

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HOMEM


Autor
desconhecido

Se acaso pensas que eu procuro
Avivar-te amor falso e purpuro,
Tirano amor o teu.
Te enganastes homem!
Sou orgulhosa, aspiro uma vida 
Luminosa, sublime como o céu

Fugistes aos meus sorrisos de ternura
Julgavas que com isto por ventura
Eu fosse me matar. Oh!
Como es tolo homem d'alma envaidecida
Eu sou hoje mais feliz em vida


Lêdo  09- 07-1946

SUBLIME PATRIOTISMO


Autor:
desconhecido

Vai querido a Pátria  está chamando
Ela precisa mais de ti que eu
Ser bravo, ei ficarei rezando,
Implorando por ti ao Pai do céu

Combate com denodo nesta guerra
Defende bem contra o inimigo vil
O pavilhão sagrado, a nossa terra,
Este torrão querido, o teu Brasil

avante, sem retroceder um passo
Do rumo certo que conduz ao norte
Sacode do teu corpo p cansaço
Enfrenta  como herói o horror da morte

És o guardião da terra brasileira,
Colhe para ela os lucros da vitoria
Embora os bosques do abismo  a beira
E tu deixas sangue na historia

E se voltares dessa luta um dia
E buscares encioso nosso lar
Hás de encontrar brilhando de alegria
Os meus olhos cansados de chorar


Escrito em 04-041945
 como uma grata lembrança 
da amiga Ana Maria Alves para
Mercês Cunha

MEU CORPO




  Autor
Feliz Araujo

Há no meu corpo venenosas setas
Fontes do mal, abismos de desejos,
Onde a minha alma em convulsões secretas
Vive chorando os últimos harpejo...

Tenho no rosto as confissões completas
dos meus  profundos, mínimos arquejos
A angústia dos artistas e poetas
E a passageira sombra de alguns beijos...

Sinto vibrar no corpo torturado
A orgia dos passados avatares
E o lucilante grito do pecado.

O' carne gloriosa que me aterra!
Quando eu quero viajar para outros ares
sua marca fatal me  aterra!

Copiado por
 Maria das Mercês Cunha 
Em 06-10-1948


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PERSUASÃO

 

Autora
Neves Ribeiro

Vós que vivendo vida ingrata
Divorciada do amor, do sonho rindo,
Não percebestes que o viver é lindo
Quando se vive de um amor que mata.

Vós que não vives espirais de prata
Que nascem n'alma e  não ao céu sublime
Desconheceis que o amor quando florindo
Produz um quê que empolga e que arrebenta

Se vós fazeis de surda ao nobre apelo
Que Eros vos faz, padecido de ciume
Pondes á mostra um coração de gelo...

Vida"sonhos! amor! Tudo se casa!
Buscai sentir, mulher do amor o lume:
Vereis o gelo transformar-se em brasa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

VINGANÇA


Autor desconhecido

Venha cá meu filho escuta
És amigo de tua mãe?
Oh! minha mãe que pergunta
Pois bem:
Vai ver a velha Vicência
O amor que o filho tem.

Fazem vinte anos
E dizendo, tira do seio um punhal
Que teu pai morreu a golpe
Deste ferro por meu mal
E eu devia vingar
Fiz uma jura fatal

Uma jura? Oh! mãe, santíssima...
O' que jurai minha mãe?
Jurei que por este sangue
Que em ferrugem se tornou,
Que tu filho,  mararias
Aquele a quem teu pai matou 
E matas? Mato

Ainda que te roube do peito o amor ?
Ainda assim!...
Pois bem, parte e vai
É Ricardo o matador

Ricardo o pai de Maria?
Oh! minha mãe perdoai-me
Pela amante, o pai esquece
Filho ingrato parte e vai
Cumpre a jura, a ser maldito
Se não vingaras teu pai

Esta noite, tinta em sangue,
 Com cabelos no ar
O assassino de Ricardo 
Veio aos pés da mãe lança
 O punhal com que jurara
A morte do pai vingar.

Sorria a velha contente e  lembrava o vingador
Quando de súbito apareceu 
Qual bela estua de dor
Junto do grupo chorando
A Candida e bela flor

Paulo!meu Paulo vingança!
Mataram meu pai, não vês?
Estas lágrimas sentidas, 
Que te derramo aos pés.
.Paulo meu Paulo vingança
Vinga-me tu por quem és

Vai banhada em sangue 
Assistir o triste fim 
Quis falar-me e já não pude 
Com os olhos fitos em mim
Pediu-me vingança eterna
vingar- me paulo Sim?
Vingo Maria sésega,
Eu sei quem teu pai matou
Vai morrer com o mesmo ferro
Que a pouco transpassou
E dizendo  as punhaladas 
No próprio peito cravou

Fugiu de dor espavorido
Deixa Paulo sem parar
Entra em Roma no outro dia
Por toda parte a gritar
Quem me mata por caridade
Quem me acaba a matar.

Assim vagou três dias
E no quarto enlouqueceu
Ainda hoje os viajantes
Quando passam nos liceus
Ouvem as tristes gargalhadas,
vingança pedindo aos céus

Mercês Cunha
O4-04-1945
São Bento

















O PALHAÇO



autor
Padre Antonio Tomas

Ontem viu-se em casa a esposa morta
E a filhinha mais nova tão doente!
Hoje o empresário vai bater-lhe à porta
Que a platéia o reclama impaciente...

Ao palco em breve surge... Pouco importa
O seu prazer aquela estranha gente
E ao som das orações que os ares corta
Grita, canta e ri nervosamente

Aplausos da turba ele trabalha
Para esconder no manto em que se embrulha
A cruciante angustia que o retalha

No entanto a dor cruel mais se aguça
E enquanto os lábios túmulos gargalha,
Dentro do peito o coração soluça

Lêdo 04-06-1947

ORFÃO


Autor
Decidio Amaral


Ei-la que passa, maltrapilha e triste
Tendo na face a palidez da morte
A riqueza para ela não existe
Órfão, sozinha vive a errar sem norte

Tendo por leito os caminhos
E por todo azul vasto da amplidão
Andando a contar os passarinhos
Os doces beijos da -lhe a viração...

Segue assim a pobre peregrina
Levando os negros sofrimentos seus
Que a morte deste mundo a roubou
Sento santa e pura aos pés de Deus

Mercês Cunha
20-03-1945
Lêdo