segunda-feira, 30 de abril de 2012

LÁBIOS


Autor desconhecido


Rubros lábios de mel, que num segundo
Mil idéias me das, mil sentimentos...
Vós sois a causa de meu viver no mundo
Entre pesares , ânsias e tormentos

Lábios em cujo encanto assaz profundo
Escondeis os desejos e os lamentos
Vós sois no meu sonhar ao amor oriundo
Dois tiranos formosos e cruentos

Sábios em foma do arco de Cupido!
Cada palavra que soltas, é cada
Seta de amor que um peito faz ferido

Ó lábios tentação! lábios serpente!
Lábios em que minha alma apaixonada
Viveria a beijar constantemente!...
   

C. Grande, 28/12/1949
ULTIMO ADEUS

Autor desconhecido


Tenho bem viva na lembrança,aquela
Tarde estival do derradeiro adeus:
O sol poente como frágil vela,
Cedia á noite as amplidões dos céus

Pálida e triste, mas de face bela
Tendo o crepúsculo nos olhares seus,
Por entre as brumas da distância, ela
Partiu saudosa entre um saudoso adeus 

e ao relembra-la, estou no meu caminho
Arquitetando em sonho o nosso ninho
Na frondosa palmeira da ilusão

Mas ela ingrata não voltou mais
E o pesadelo que o meu sonho traça
É atroz insonia da desilusão.



Campina Grande, 16/08/1950

domingo, 29 de abril de 2012

SAUDADE

Autor desconhecido


Se as pedras falassem
Por certo uma ai diria
As lágrimas que de meus olhos vertiam
Em cima de um ligeiro em chamas 
Onde o seu corpo jazia.

E até de saudades a minha alma sofria
Não levai contigo Senhor, não deixes que eu
Fique chorando com tanto horror

Deixai a minha mãe querida
o meu tesouro de amor,lembrai-vos da orfandade
Que proclamando estou em perder
Um grande tesouro, inesgotável de amor!

Es filho, e vossa mãe chorando também ficou 
Olhai a tantos filhos
Tem piedade Redentor, olhai que no
Seu coração de mãe, grandes saudades suplantou


Soltando um grande gemido
Por toda parte se ouviu
Naquele momento tão triste, 
Como uma santa inspirou

E esses gemidos todos recolhidos
No meu peito explode esta dor, e hoje espalho 
Pelo lajeiro, as saudades deste amor.

domingo, 22 de abril de 2012

CANÇÕES MATERNAIS

Autor;
Adauto Barreto

Ainda ouço a tua voz de seda e de veludo,
Entoando para mim cantigas de ninar
"Beceluses" que escutava, embevecido e mudo
Tal se fosse um pecado o canto teu parar.

A tua voz não tinha a rispidez do agudo,
Era o leve da briza em folhas a passar...
Ouvindo-te cantar eu esquecia tudo
E adormecia, então sob o teu olhar.

A vida continua, hó Mãe, sendo o teu canto
Não sei qual o sabor amargo do quebranto, 
Porque tuas canções estão nos meus sentidos.

Serro os olhos e sinto o berço baloiçando,
E tu santa velhinha, amor de mãe cantando
Cantigas de ninar baixinho aos meus ouvidos   




A POETIZA E O FIDALGO


Autor 
desconhecido


Bem sei que tu me despesas
Bem sei que tu me aborreces
Zombando das minhas preces
com orgulhoso desdem
Mas não suponhas , não creias
Que o teu rigor me consome 
Pois mesmo pobre e sem nome 
Sei desprezar-te também

Bem sei homem, bem conheço
Que fui uma louca em fitar-te
Muito mais louca em amar-te
Sem consultar a razão!
Aquelas doces promessas
Que em teus olhos eu lia
Não eram mais que ironias
Não eram mais que ilusão.

Eu si medir a distancia 
Que nos separa na vida
Tu tens a aurora florida,
Eu tenho as noites cruéis!
Tu tens um monte de flores
Que te alcatifa os caminhos...
Eu trilho em sendas de espinhos
Que dilaceram-me os pés.

Teu vulto passa indolente
Por sobre os fundos prezares,
Tens n'alma os gelos polares
Em vez da luz do Equador!
A bela Vênus de Milo.
Te-la sem braçços os artistas
Mas Deus foi mais egoista
negou-te os fluidos do amor!

Não rias...! Isto é loucura!
Não zombes de uma desgraçada,
Que se não teve passado,
Pode um porvir aspirar
Não rias que da existência,
No dance ignoto infindo,
Quem abre a sena sorrindo 
Encerra o ato a chorar






MARTÍRIO

Autor
desconhecido

Oh! como sofro nesta vida de amargura
Meu coração dos tropeços quase para
Meu frágil peito abalado quase fura
Com as batidas que apunhaladas se compara

Meus pobres pés com sacrifício ainda amparava
Este pesado esqueleto que tortura
Vejo que meus restos de ossos se preparam 
Para dormir na gélida sepultura

Feliz foi aquele tempo que eu andava
Que logo a triste sina me futurava
Para tornar-me nesta triste criatura

14/04/1948

DESTINO INGRATO


Autor:
Luiz Fortunato Gomes

Mesmo caçado deste meu destino 
Procuro aquele que me faz penar
Vem-me a ideia de sê assassino
Não porque  na terra não consiga amar.

Amar? eu quero oh! sim! desde manino
Mas esse amor não vem me acalentar...
Cada vez mais eu fico pequenino
Cheio de magoas, prantos e pesar!

Mas continuo com toda nobreza
Caminho em passos largos pela vida
Certo que possuo uma riqueza

Uma riqueza  oh! sim mora comigo
Enquanto minha magoa jaz perdida
Pulsa em meu coração amigo!


VINGANÇA E ÓDIO

 A nova geração já não proclama
A glória de toda a humanidade
Dispersou-se talvez do seu programa
O simbolo do amor a caridade

A vingança , o terro, tudo se inflama
No coração da nova mocidade
A vida sem sossego, negro drama
Do tormento de magoa e falsidade

A opulência  sem termo se exagera,
Não surge de piedade um só resquício
Que possa minorar a negra espera!

Meu Deus fazei que ente essa gente insana
Eu não careça exposto pelo vicio
Dá proteção da caridade humana!

terça-feira, 3 de abril de 2012

ESTRADA DO AMOR

                                     Autor desconhecido




Partimos juntos, pela estrada afora
Cantando o doce amor que nos sorria
Fomos tristonhos ao nascer da aurora
Fomos felizes ao morrer do dia

Uma ilusão a outra ilusão se ancora,
Dentro de minha alma uma esperança havia
Ao mesmo tempo em que viveu sonhava

Esta ilusão que dentro de mim nascia
No percurso da lubrica jornada,
Tu chegastes a chamar-me meu amado

Eu cheguei a chamar-te minha amada 
Hoje voltamos pela mesma estrada
Sem pensarmos no amor que vai distante
Sem olharmos a límpida alvorada!


segunda-feira, 2 de abril de 2012

VAI SUSPIRO



Autor desconhecido


Vai suspiro transpondo o espaço vai
Vai lá na Pátria acordar meu bem
Dize-lhe que o amo, que recordo sempre
Dize-lhe tudo, mas não fiques, vem

Vem que  quero perguntar por ele
Se vive trise e se pensando está
Se de mim se lembra, se me ama ainda
Se  meus ais tristes são ouvidos lá

Se veres triste o retrato meu
Que sobre o peito depositado está
Se veres triste a chorar ou rindo
Dize-lhe tudo, mais não fiques vem...




MEUS AMORES


Aqui venho contar os meus amores
Cheio de magoas, cheio de queixumes
São lampejos da luz dos vaga-lumes
Meigos beijos de lindos beija-flores.

Amo ao riso das ternas criancinhas
Amo os mistérios do meu coração
Das virgens de pureza, amo a oração
Amo ao  canto das belas avezinhas

Amo ao longe com alegria matutina
Amo a lua com a tristeza vespertina
Amo uns instantes desta ingrata vida

Porém muito mais amo ao Soberano
Que mora por traz deste azul pai
Com ele está também minha mãe querida.

10-07-1946


Transcrito por:
Zulmira Farias

MINHA ROSEIRA

Autora
Eresita Ribeiro

Plantei um dia a roseira
No jardim do coração,
E foi esta a vez primeira
Que fiz uma plantação

Num terreno quase agreste
Mesmo assim ela pegou
Onde só tinha cipreste
Uma linda roseira brotou

Era nívea perfumosa
Dei-lhe o nome de amor
Desse lindo pé de rosa 
Nasceu somente essa flor

Mas a sorte traiçoeira
levou como faz o vento
Da minha linda roseira
O seu único rebentou

Tentei ainda plantar
Mas nem espinho nasceu
Tornei até agora 
Mas a roseira morreu

O coração é o jardim
Onde nasce uma só flor
Essa mesma para mim
Nasceu, viveu mas murchou

Em 06-10-1948

Transcrito por 
Merces Cunha