terça-feira, 29 de maio de 2012

RECORDANDO

                                                        

Autora; Bernadete

Ó minha amiga, que saudade imensa
Daquele tempo que passei contigo
Daquelas tardes de ventura extensa,
Sob os desvelos de um sonhar amigo

A parasita do beiral suspensa,
Como encantava o nosso doce abrigo!...
A vida : um treno , primavera intensa
Santo passado como eu te bendigo!...

Hoje a casinha abandonada e triste
Talvez...eu penso que já não existe
Não mais contém aquele doce encanto

Que nos sorria no viver doutrora,
Quando o teu riso era uma doce aurora,
Doce sorriso divinal e santo!...

domingo, 27 de maio de 2012

DEUS


Autor:
Roberto Mesquita

Um dia a minha Mãe eu perguntei;
Deus existe mamãe? E ela sorrindo
Olhou o azul do firmamento infinito
E o infinito azul do firmamento olhei.

Naquele instante a tarde ia caindo
No poente, em fogo o brilho do Astro Rei
Morria aos poucos realisando a lei
Da natureza ao fim de um dia lindo.

e a minha Mãe me aconchegando ao peito
disse que Deus o Senhor Onipotente,
Era do mundo o Criador Perfeito.

Naquele instante de prazer e calma
Eu vivo a minha vida mais contente
Tendo a impressão que Deus vive e minha alma

Em 27/05/1947



PERDÃO


Perdoa-me por Deus de piedade
Não me guardes o menor rancor
perdoa-me pela tua castidade
Eu te peço pelo meu amor

Fui ingrata demais para contigo
Te procurei para depois te abandonar
jesus se tenho culpa envia-me o castigo
Não fiz por vaidade, nem para humilhar.

Perdoa-me, por meu amor 
que jamais morreu
E pelos anos que meu amor viveu
Perdoa-me por Jesus crucificado

Perdoa a ingratidão que te fiz
Deves esquecer o passado
Não tenho culpa , 
O destinho assim quis!

04-01-1951

IMPOSSÍVEL


Autor desconhecido


Se a minha pena de metal luzente
Não estivesse com a ponta já partida
E se eu tivesse inspiração na mente
Descreveria então a minha vida...

Até mesmo se me viesse a dor que sente
Essa tua alma pelo amor ferida,
Eu tentaria burilar  somente
A negra espinge dessa dor sentida!

E assim  me tornaria eximio artista,
Que desenha com tinta de aquarela
A forma original de uma conquista

Então no altar de teu olhar, oh bela !
E que minha alma com saudade o avista
Eu pintaria essa paixão Stela!...


16-08-1950

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O MENINO JEUSUS



Autor:
Abreu Macedo

Sobre um leito de azul e fronhas de ouro,
Entre lírios de angelica fragrância
Dorme Jesus que pequenino e loiro
Inda sorrir dos anos a inconstância

Eis que baixa do céu o lindo coro
Dos querubins , os seus irmãos de infância
E ali estão na divina estância 
Sobre um leito azul e franjas de ouro

Mas a penumbra é pálida e silente
Como a sombra da morte,
Enluta o ambiente
O vulto esquio da fúnera cruz

Ela se inclina do martírio a lança...
Enquanto dorme os anos de criança
O pequenino e cândido Jesus


Mercês Cunha
16-08-1959




domingo, 20 de maio de 2012


PAI 





Autor: 
Humberto de Campos

 Triturando os pés nos seixos do caminho 
Encostado em seu bordão de pastor
Tostado pelo sol do deserto Maninho 
Chega a tenda do logro o moço Abnegar

O pai! (soluça) 
A mulher que pusestes em meu ninho
Traiu o meu amo e eu traído de dor
Esmaguei com meu pé a flor do teu carinho
Semente do meu lar fruto do teu amor

O semblante do ancião de súbito se encova
No seu olhar de leão há um pranto que não cai
Mesmo na maldição de tão barbara prova

E na tenda do deserto, entra saturno o pai
E  trazendo pela mão sua filha mais nova:
"Es um homem  de bem, 
Toma outra esposa e vai

27-07-46

OLHOS


Olhos de sonhos e mistérios...olhos
Tristes e alegres, lânguidos e vivos
Que provocas no intimo refolhos
D'alma, as dores e os gozos emotivos

Olhos que me surgistes como escolhos
E os meus sentidos tendes já cativos,
Encantadores e assassinos...Olhos
De amor, fé e paixão, motivos

Olhos em cujo brilho feiticeiro
Se divisa a ventura do paraíso
Se entrevê mil prazeres celestiais.

Olhos que desafias o mundo inteiro
Não vos firmeis nos meus, que parco o juízo!
Não me fites assim que me matas!...

C. Grande 28-12-1949
              Mercês Cunha




NO TUMULO

Autor: João Ribeiro

Abre-me a porta  ó meu coveiro amigo
Eu sou filho de Marta abençoada,
E quero ver o lúgubre jazigo
De minha mãe!


Choravam pela estrada
Lagrimantes salgueiros. Uma lousa
Vendo o coveiro a voz amargurada,
Diz: "ei-la a cova onde tua mãe repousa".

_Como  tua mentira me espanta!
Não posso crer alma venal suspeita!
Que o extraordinário amor de mãe tão santa
Possa caber nesta morada estreita