domingo, 5 de fevereiro de 2012

VINGANÇA


Autor desconhecido

Venha cá meu filho escuta
És amigo de tua mãe?
Oh! minha mãe que pergunta
Pois bem:
Vai ver a velha Vicência
O amor que o filho tem.

Fazem vinte anos
E dizendo, tira do seio um punhal
Que teu pai morreu a golpe
Deste ferro por meu mal
E eu devia vingar
Fiz uma jura fatal

Uma jura? Oh! mãe, santíssima...
O' que jurai minha mãe?
Jurei que por este sangue
Que em ferrugem se tornou,
Que tu filho,  mararias
Aquele a quem teu pai matou 
E matas? Mato

Ainda que te roube do peito o amor ?
Ainda assim!...
Pois bem, parte e vai
É Ricardo o matador

Ricardo o pai de Maria?
Oh! minha mãe perdoai-me
Pela amante, o pai esquece
Filho ingrato parte e vai
Cumpre a jura, a ser maldito
Se não vingaras teu pai

Esta noite, tinta em sangue,
 Com cabelos no ar
O assassino de Ricardo 
Veio aos pés da mãe lança
 O punhal com que jurara
A morte do pai vingar.

Sorria a velha contente e  lembrava o vingador
Quando de súbito apareceu 
Qual bela estua de dor
Junto do grupo chorando
A Candida e bela flor

Paulo!meu Paulo vingança!
Mataram meu pai, não vês?
Estas lágrimas sentidas, 
Que te derramo aos pés.
.Paulo meu Paulo vingança
Vinga-me tu por quem és

Vai banhada em sangue 
Assistir o triste fim 
Quis falar-me e já não pude 
Com os olhos fitos em mim
Pediu-me vingança eterna
vingar- me paulo Sim?
Vingo Maria sésega,
Eu sei quem teu pai matou
Vai morrer com o mesmo ferro
Que a pouco transpassou
E dizendo  as punhaladas 
No próprio peito cravou

Fugiu de dor espavorido
Deixa Paulo sem parar
Entra em Roma no outro dia
Por toda parte a gritar
Quem me mata por caridade
Quem me acaba a matar.

Assim vagou três dias
E no quarto enlouqueceu
Ainda hoje os viajantes
Quando passam nos liceus
Ouvem as tristes gargalhadas,
vingança pedindo aos céus

Mercês Cunha
O4-04-1945
São Bento

















Nenhum comentário:

Postar um comentário