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| Independente da idade, ficamos órfãos e nos afastamos como menores abandonados. |
Adauto Barreto
Ainda ouço a tua voz de seda e de veludo
Entoando para mim cantigas de ninar.
Berce luzes que escutava, em embebecido e mudo,
Tal se fosse um pecado o canto teu parar.
A tua voz não tinha a rispidez do agudo
Era o leve da brisa em folhas a passar...
Ouvindo-te cantar eu esquecia tudo
e adormecia, então sob o teu olhar.
A vida continua, Ó Mãe, e sem o teu canto
Não sinto o sabor amargo do quebranto
Porque tuas canções estão nos meus ouvidos
Cerro os olhos e sinto o berço baloiçando,
E tu, Santa Velhinha, Amor de mãe entoando
Cantigas de ninar, baixinho nos meus ouvidos
1961

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