domingo, 26 de abril de 2015

PELA VIDA

           (A minha mãe)


Pelas sendas fatais do deserto da vida
Parto triste e sozinho... E no inter mínio enduro
Da maldade e da dor, eu afogo em meu seio,
A crença de encontrar a terra prometida.

Mas, de turva visão e de anseio a anseio,
Nos longes do horizonte, eu vejo inatingida,
A luz que mais se afasta e mais brilha  medida
 Que desdobra meus passos, em suma descreio.

Sob angústias cruéis e miragens de afetos,
No desmaio sem cor da mágoa que alquebrando
Guardo n'alma rolada os males secretos
E choro e clamo a rudeza da vida
Por saber que não tenho na terra abençoada e santa
Por viver a rezar a minha mãe querida



                          07/10/1948
    

Nenhum comentário:

Postar um comentário