(A minha mãe)
Pelas sendas fatais
do deserto da vida
Parto triste e
sozinho... E no inter mínio enduro
Da maldade e da dor,
eu afogo em meu seio,
A crença de encontrar
a terra prometida.
Mas, de turva visão e
de anseio a anseio,
Nos longes do
horizonte, eu vejo inatingida,
A luz que mais se
afasta e mais brilha medida
Que desdobra meus passos, em suma descreio.
Sob angústias cruéis
e miragens de afetos,
No desmaio sem cor da
mágoa que alquebrando
Guardo n'alma rolada
os males secretos
E choro e clamo a
rudeza da vida
Por saber que não
tenho na terra abençoada e santa
Por viver a rezar a
minha mãe querida
07/10/1948
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